O Espirro do Leão

Desde tempos muito remotos, o homem constrói uma relação bastante peculiar com os animais que rondam o seu mundo.

Em algumas culturas, certos animais são cultuados como deuses ou representam a origem de alguma importante divindade. Esse é o caso dos gatos, sobre os quais podemos encontrar lendas hebraicas e babilônicas que dizem que eles surgiram através do espirro de um leão. No Antigo Egito os gatos eram adorados devido a sua associação com a Deusa da Lua, Pasht, de cujo nome acredita-se ser derivada a palavra “puss”, que significa “bichano” em inglês. A Deusa Bastet, que representa o sol, também foi identificada com gatos, e é retratada com a cabeça de um gato. Quando os gatos morriam, eram mumificados e seus donos mostravam seus sentimentos raspando as sobrancelhas em sinal de luto.

A domesticação do gato pelos humanos apenas começou há cerca de 10 a 12 mil anos atrás, mais precisamente quando os agricultores começaram a cultivar as primeiras variedades de cereais. É sabido que cereais atraem roedores e que os felinos são os melhores caçadores que a natureza criou. Conclui-se, portanto, que a adaptação dos gatos à caça dos roedores que invadiam os locais de armazenamento dos cereais foi uma evolução nascida da necessidade humana.

Na Europa medieval, estes animais ficaram conhecidos por serem fiéis companheiros das bruxas em suas feitiçarias. Foi dessa época que surgiu a crença de que eles teriam sete vidas. O porquê de ser “sete” e não outro número é devido ao fato do número ter um significado místico, pois é um dos algarismos de maior conotação mágica. Esta lenda surgiu da Idade Média, em que os gatos, assim como as bruxas e os magos, eram vítimas da Inquisição. Apesar dos esforços para acabar com eles, dificilmente diminuíam em número, isto porque havia muitos dos seus defensores que os escondiam e criavam secretamente. No entanto, por terras inglesas diz-se que têm nove vidas. O número nove representa a vida e a abundância.

No tarot, no baralho de Rider Waite, a Rainha de Paus é representada com um gato preto a seus pés, significando energia instintiva, mas domesticada.

O Gato também é o único animal que, como o ser humano, tem sete camadas da aura e mais do que isso, são duplas. Isso faz com que ele tenha oito sentidos, três a mais do que o normal, que são cinco. Isso é percebido pela sua independência e podemos dizer a sua terceira visão. Quem nunca viu um gato acompanhando com o olhar algo que não conseguimos ver?

É comum os gatos perceberem outras presenças nos ambientes. Além disso, é o único animal da Terra que emite um som vibratório, o “ronronar” quando está em harmonia. Nesse momento ele está a sintonizar o seu campo energético com o da pessoa que está próxima, ou a neutralizar o seu próprio campo negativo, por isso é aconselhável pegar o gato no colo pelo menos uma vez por dia.

Após algum tempo, os gatos tornaram-se um símbolo, até mesmo de ostentação, pois acabaram por ser considerados animais de luxo devido a sua classe e beleza. Eram usados por damas em eventos sociais como verdadeiros enfeites. Neste mesmo período, começaram a ser alvo de expositores, que efetuavam cruzamentos entre espécies com o objetivo de “melhorar” a raça, fenômeno que originou inúmeros tipos de gato. Hoje, os gatos são muito populares como um ótimo animal de companhia. Continuam também sendo utilizados como um meio de se controlar a população de ratos em fazendas e áreas rurais.

Os gatos são brincalhões, muito independentes, curiosos e conseguem ser teimosos, mas são também extremamente amigáveis e afetivos: um dos gestos mais carinhosos dos gatos é a famosa turrinha – pequenos toques com a cabeça, que dão entre si e aos seus donos.

Fontes: História do Mundo / Os Gatos / Medicina Felina / A Origem das Coisas / Melodias Noturnas


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